sábado, 3 de abril de 2010

Abraço proibido

A cidade era pequena, daquelas em que parecia haver sempre um olhar fiscalizando o que se fazia. Por isso, ela precisava ser bastante sutil. Toda discrição seria pouca. Em casa, ninguém poderia desconfiar do que estava fazendo, pois nunca a apoiariam. Eram claramente obstantes a ele. Assim, os dois encontravam-se cuidadosamente.
Ele não morava na cidade, mas sempre que podia, ia visitá-la. Precisavam ver-se com freqüência. Aquele dia, contudo, era especial. Cada encontro parecia acabar muito rápido, embora conversassem por horas. O tempo parecia não favorecer. Aliás, o tempo, o lugar, as pessoas... por que tinha que ser assim? Por que não tinham o direito de se encontrarem sem preocupações com o resto do mundo?
Naquele instante, os dois questionavam-se isso. Ele já estava lá., esperando-a chegar. Ela o avistou. Estava sentado em um banco. Ela aproximou-se. Abraçaram-se. Era um dia especial.
- Pai! – ela disse – Te amo! Feliz dia dos pais!
"Serena"

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